30 de setembro de 2010

Seus olhos me sorriram, seu sorriso te entregou,
enfim, soube que já és meu..

12 de setembro de 2010

Sobre um dia de setembro

É setembro, uma sexta-feira, 06:00h, despertador toca... Volto a dormir. 06:30h e ele volta a tocar, olho para a cabeceira ao lado da minha cama e levanto num pulo. Estou atrasada. Entro no banho e não molho o cabelo, porque nunca saio de cabelos molhados. Me arrumo depressa sem vontade nenhuma de ir trabalhar - por mim, hoje nem teria saído da cama. Teria me apagado do mundo. Não sei. - Tomo o meu café preto forte e tão quente que queima a ponta dos meus dedos na xícara. Pego o trem das 07:00h, sempre lotado. Sempre aquele empurra-empurra, a moça das balas, o moço do jornal. - Senhor, me vê um por favor? - Encosto-me na porta do trem e tento ler o meu jornal. Política. Acidentes. Tráfico. Novelas. Canso do jornal. Desço nessa estação. Pessoas correndo, pessoas falando gritando. Chego no escritório e hoje é só mais um dia estressante que sairei desse lugar com dor de cabeça e com um monte de papéis para revisar até segunda. Ainda bem que hoje é sexta-feira.
Meio-dia. Não estou com fome, mas como é de praste, farei companhia àquele moço que não gosta de almoçar só. Tem uma postura elegante, cabelo grisalho, pele enrugada, olhos azuis que apesar do óculos grande, chamam atenção. Gosto de ouvir suas histórias, sobre suas namoradas, sobre suas amantes e sobre seu único amor. Única à quem ele foi fiel, única à quem enviou flores, única à quem escreveras quando dissera sobre amor. A única que ele nunca teve para chamar de meu amor. Para mim, esse é o moço mais interessante de todo o prédio.
Finalmente o dia chega ao fim. Já é noite quando saio do escritório. Vou para casa, porque não vejo a hora de jogar todas essas folhas em cima da escrivania, nunca reviso-as mesmo antes de domingo à noite. Vou para casa, porque hoje a única companhia que me faria bem é o moço de cabelos grisalhos que a essa hora já deve estar pronto para dormir lendo o meu livro favorito que lhe emprestei no mês passado, com umas meias grossas, apesar do calor que faz nessa noite. E o moço bonito e gentil que mora dois andares abaixo do meu - gosto do último andar, o céu, as ruas, as árvores, tudo é mais bonito daqui de cima - que sempre me espera no elevador e me recebe com um doce "bom dia" e um sorriso simpático. Ele tem lábios rosado, mãos grandes, olhos negros, usa um óculos que deixa-o com cara de sim-eu-sou-cult, é um moço um tanto engraçado e bem alto. Ele foi passear numa cidadezinha vizinha e volta daqui uns dias. Esqueci-me de quando exatamente.
Nada de bom passa na TV. Também pudera, sexta-feira à noite. Há um tempo estava num barzinho desses da vida com algumas amigas da faculdade. Que falta eu sinto da minha vida monótona e sem graça de aulas, alguns professores chatos e alguns que eram até divertidos, das minhas reclamações sem motivo.
São 23:00h e estou sem sono. Tomarei café. Não sinto sono e quero dormir, mas sinto uma vontade louca que cresce dentro de mim de tomar café. Vou até o telhado do prédio, olho as ruas. Essa noite não ficarei em casa. Pego minhas chaves e desço. Vou andando, não sei pra onde, mas vou andando por essas ruas boêmias, vendo pessoas bebendo, conversando, rindo, dançando, cantando no karaoke. Nunca tive coragem pra isso, as pessoas sempre me lembram de como eu canto mal toda vez que tento cantar um trechinho que seja. Agora ouço Vinicius cantando "eu não ando só, só ando em boa companhia". Dou um sorrisinho e continuo andando. Vou seguindo o silêncio. Estou a uns 20 minutos de casa e uma angústia vai me invadindo devagar, daquelas que vai torcendo pra fazer doer o peito, a mente. Uma angústia com uma pitada de nostalgia. É, hoje não é um dos meus melhores dias. Fico ali, parada pensando, me sento no meio fio de uma rua deserta e noite quente. Ainda escuto o barulho daquela gente que dança, canta, bebe. Agora é a vez de Renato Russo contar a história do Santo Cristo. Eu sabia cantá-la sem precisar de olhar letra. Nem sei se ainda sei. Tanto faz. Procuro meu cigarro. Droga. Esqueci do lado do meu celular que sempre faço questão de esquecer. Sempre brigam por não carregá-lo comigo.
Sinto sono. Vou-me embora pelo caminho mais curto para que ele não se perca por aí. Chegando em casa deixo as chaves em cima da mesinha de centro na sala, pego o cigarro, sento no sofá e apago ali mesmo.

9 de setembro de 2010

22h

 "Não tenho dúvidas que com você daria certo
Juntos faríamos tantos planos
Com você o meu mundo ficaria completo"
[Nando Reis]

Você me faz suspirar, meu bem. Suspirar de um jeito tão doce e encantador que transborda por essas noites. Minhas mãos inquietas, meu sorriso bobo, minhas pernas trêmulas, minha voz que quase não sai. E mesmo assim me sinto bem, feliz, quando estou perto de ti. É tão bom estar contigo, tão bom cada minutinho, cada pedaço do tempo com você. Nós dois ali. É como se o céu inteiro estivesse dentro dos seus olhos. Minha vontade de ter mais, de você ser só meu é tanta que não cabe em mim.

O jeito que mexe comigo, que mexe em mim. Segurando e acariciando meu dedo menor da mão direita, entrelaçando nossas mãos. Não é sonho, não, meu bem. É a maior de todas as minhas vontades. Pode me abraçar sempre, pelo tempo que quiser, eu gosto de te sentir bem juntinho a mim. Me sinto em nuvens, sabe?

Fica mais. Vai embora, não. É, ter sua companhia é a melhor dentre todas que já tive. Não precisa rir, nem debochar, você já sabe disso, não se faça de bobo. Ou melhor, faça sim. Adoro você de todos as formas possíveis, até mesmo quando é grosso e não tem paciência comigo.

Eu sei que está tarde e você precisa ir. Mas... É que eu quero que você fique. Acredita que eu até que gosto quando você aperta minhas bochechas e faz cócegas? Pois é.

Olha, meu bem, diga que volta logo e que sentirá minha falta?
Eu sinto saudade sempre de você.
Dá aquele beijo na testa? Gosto tanto.

E quando voltar, seja o meu amor.

Até.