30 de outubro de 2010

A madrugada sua

Desculpa-me se estou lhe telefonando a essa hora da noite, mas sabe como é, esse meu coração idiota insiste em ouvir sua voz em dias assim. Sim, minha insônia anda me castigando por eu não te ter mais ao lado direito da minha cama. Essa cama que era tão nossa antes de você partir por conta daquelas bobeirinhas que fizeram deixar um buraco neste quarto. Eu sei que a culpa não foi sua, mas também não foi minha, oras. Vamos culpar a quem? Deus? Não. Foi culpa nossa. Você teima comigo feito uma criança chata, isso me tira do sério. Mas sinto falta de gritar com você, tacar as coisas e me estressar porque não para de rir da minha cara e diz que eu fico muito sexy estérica e me mordendo de raiva. E eu adoro testar sua paciência comigo te pertubando, fazendo coisas que você odeia até eu cansar e desistir por você não se irritar loucamente como eu gostaria, e eu achava que você não fazia isso por que era muito bonzinho comigo, até que eu descobri que você gosta do meu bico quando faço cara de decepcionada e corre logo pra me encher de dengo. Sei que agora você deve estar sorrindo com os olhos bem pequenos cheio de sono, lembrando de como eram boas essas coisas e que agora lhe incomodam fazendo falta também. Tome um pouco de café, hoje a noite é longa. Sei muito bem que você detesta café, sim. Imaginei você revirando os olhos e fazendo careta porque você cansa de repitir que não gosta de café e seus derivados. Eu sempre te achei muito metido quando fala, principalmente quando quer  se amostrar. E faz isso só para implicar comigo. Aí te odeio por quase um segundo. Eu tenho tanta coisa para lhe falar, você fez falta nessas últimas semanas, sempre fez. As coisas por aqui andam muito sem graça. Vai ser um pouco difícil de acostumar, ou talvez eu nem precise, você poderia voltar e parar de vez com isso. Mas que droga de orgulho imbecil, você não vê que já tá na hora de vir pra casa? Será que você não pode ser o primeiro a se redimir pelo menos uma única vez? Não, não desligue, por favor. Não vou mais gritar. Não sei bem porque, mas me veio na cabeça aquele dia que choveu bastante, viemos correndo da estação até em casa, chegamos molhados e você começou a me agarrar na frente de pessoas, notou minhas bochechas vermelhas pegando fogo de tão sem graça que você me deixou. Me arrastou logo para as escadas me olhando com aquela cara de safado que me faz pirar, me jogando nos cantos das paredes, rindo feito loucos, correndo três andares de escada. Enchemos a cara por mero prazer de colocarmos a culpa na bebida, quando estavamos mesmo é embriagados de amor. Ficamos o dia inteiro na cama, o melhor dos dias com você. Acordei por volta do meio dia e você não estava lá do meu lado, vesti a sua camisa cinza, que é a minha preferida em você, e é a sua preferida em mim também. Fiquei te olhando por vários minutos, você cozinhava e assobiava. Eu sei que só faz isso quando está feliz. Lembro que levou um susto quando me viu parada te observando, mas riu bonito e piscou pra mim, sendo assim doce do jeito que fez no dia que te conheci. Você mal deve lembrar, mas isso faz um ano amanhã. Os dias passam lentos, se arrastando. Tá faltando você aqui em mim. Faltando eu aí em você. Tá faltando o que somos quando estamos um no outro.

14 de outubro de 2010

Só pra constar...
Eu não deixo de pensar em você nem um diazinho se quer.

Não demore, não, tá?!