22 de dezembro de 2010

Menina

Sou menina ainda, moço,
e ficava imaginando desenhos bonitos nas nuvens,
escrevia seu nome incontáveis vezes pelas folhas do meu caderno,
esperava ansiosa pela sua chegada,
ao te ver,
o coração pulsava forte e suspirava assim,
boba mesmo.

Sou bem menina ainda, moço,
fazia chocolates em formas de coração para te presentear,
vivia a cantarolar essas canções de amor,
inventava joguinhos para que você me decifrasse,
desenhava nós dois de várias maneiras,
mas sempre juntos,
com o pensamento de nos eternizar.

Sou menina ainda, moço,
e essas feridas que você fez aqui dentro,
isso não se faz, não.
Esperei que cicatrizassem feito gente grande.

Moço, eu sou menina ainda.
Acredite.
Só que não mais a sua menina.

15 de dezembro de 2010

Começo de nós dois

Estar com você sempre foi algo muito assim, digamos, problemático. Mas essa vontade de nós dois sempre existiu.
Lembra-se de quando éramos mais novos, você ainda namorava aquela fulaninha, magrela, loira, dentes tortos, completamente esquisita, tinha os cabelos lindos, sempre os invejei, não pela cor, mas pelos encaracolados dele. Lindo. O meu cabelo era negro, liso e muito ralinho, cortava-o em lua cheia para que ele crescesse mais volumoso, hoje em dia é bem melhor. A menina nunca foi com a minha cara, apesar de nunca termos nos tocado, quero dizer, daquele jeito que você bem sabe, no fundo ela sabia que havia algo muito maior do que amizade.

Nossos olhos se encontraram apaixonados pela primeira vez quando fomos ao cinema, tinhamos escolhido um filme pra assistir, mas estava muito cheio, resolvemos procurar um outro qualquer só para pertubar as pessoas dentro do cinema. Sua namoradinha detestava esse tipo de coisa, olhava pra gente enojada de tal situação, ela se achava adulta e madura demais. Tadinha. Mal sabia que começava a te perder aí. Fui pegar a pipoca dentro do pacote, ao mesmo tempo veio você, sua mão sem querer enlaçou-se nas minhas, os risos cessaram no mesmo instante, você me olhou e eu sorri sem graça, deixamos quieto e voltamos a tacar as pipocas. Daí em diante, sempre que lhe via, não encontrava palavra alguma pra dizer, você quebrava o gelo todas as vezes.

Você já não aguentava mais a menina, vinha em minha casa todas as noites para reclamar. Íamos para o meu quarto porque ela poderia passar e te ver comigo, o que te traria mais problemas. Você dizia que ela era uma chata, não era engraçada, te ligava o tempo todo. Começaram as comparações comigo. Você se perguntava o por que dela não ser que nem eu, até que começou a se perguntar o por que de eu não ser sua namorada. Realmente isso não fazia sentido algum.

Não resistimos. Nos beijamos fervorosamente, você me beijava, se declarava, dizia que queria ficar comigo e me beijava de novo. Com mais vontade, com mais desejo. Desejo esse que não iria ser saciado só em beijos. É só fechar os olhos que eu vejo cada detalhe, cada toque, cada mordida. Puxou meus cabelos com uma delicadeza selvagem e enlouquecedora. Eu só queria tirar suas roupas, enquanto você já tinha me deixado nua. Nua e toda sua. Sem hesitar, sem recuar. Totalmente entregue. Você levantava minhas pernas - desde que nos conhecemos, diz que pernas tão bonitas quanto as minhas, nunca há de conhecer - Você dedilhava pela minha cintura e depois agarrava com firmeza. Que delícia foi. Nesse dia eu conheci cantos do meu quarto que nem imaginava. Me disse coisas que eu não ousaria repetir, não aqui nessa conversa. No nosso quarto, na nossa cama, no nosso chão ou em qualquer outro lugar que seja só nosso. Aí sim.

...Deixa estar

Acho que estou precisando dar um tempo de você. Quando tenho de mais, enjoo fácil. Não que eu tenha enjoado de você, não, não, pode ficar tranquilo. Enjoei da nossa falta de assunto demais. Tá certo que eu até gostava e pode ser que ainda gosto um pouco dessa falta de assunto, às vezes a gente precisa disso, sabe? Como estou precisando agora. Não é de você só, é de tudo um pouco. Talvez eu tenha idealizado demais. Erro meu. Mas que no meu ponto de vista nem é tão errado assim, essa sou e nem acho tão necessário mudar. Um pouco, talvez. Incomoda algumas pessoas, não que eu me importe com isso, não mesmo. Mas pelo jeito que se importam, por que não considerar?
Pode parecer egoísmo da minha parte, mas não é. É um certo medo. Receio, melhor assim dizendo. De me perder e não encontrar mais.

Gosto de sentir falta, sentir aquela saudadezinha gostosa que toma conta e nos faz querer correr pra ligar e ouvir aquela voz doce que acalma o coração da gente que está transbordando de vontade da pessoa. Não sinto mais isso... E eu quero.
Cadê aquela nossa vontade de simplesmente nos ter? O "se der" tomou conta. A curiosidade de saber o porque disso tem me cutucado bastante por dentro, chega a doer. Você parece não ligar, não se importar pra isso. Ou querer não se importar. É.
...Deixa estar.