29 de novembro de 2011

Tudo que existiu ficou lá

"...preciso rever seu sorriso um tanto sem graça, preciso voltar mais uma vez com você lá na praça..."
- Zeca Baleiro

Você virou e foi embora. A última imagem sua que ficou em minha memória foi de suas costas e um sorriso amarelo de seus cigarros que me faziam mal. Não consigo me livrar dessa falta, desse vazio que você deixou em mim, às vezes tento não acreditar que aquilo foi o fim, outras vezes, você volta com seu charme de cafajeste e desejo que aquilo tenha realmente acabado. Depois que foi, prometi a mim mesma que seria o último a quem eu entregaria meu coração, e será. Ele vai ficar aqui dentro, quieto, sossegado e bem quentinho. Acreditei que em você encontraria a paz, a tranquilidade, mas só soube trazer frustração. Não pense que ao deitar minha cabeça no travesseiro pra dormir eu não penso mais em ti, você é o culpado pela minha insônia, minhas olheiras e pelo meu tempo perdido. Sim, porque é uma grande perda de tempo pensar em você e nas bobagens que aconteceram ou que eu gostaria que tivessem acontecido. O sorvete de maçã-verde que eu iria desperdiçar só para te sujar, os beijos forçados que eu sonhei tantas vezes retribuí-lo com doçura, seus olhares tão profundos pareciam que fossem me invadir me fizeram querer ser sua. Inteira. E não fui, nem metade. E assim, não sendo, foi que eu mais quis ser. Fiz moradia dos seus abraços, encontrei loucura e conforto em seus beijos, confiança ao enlaçar suas mãos nas minhas. E ainda acho graça quando lembro que você implicava comigo não deixando eu me distrair com as folhas e as formigas daquela praça. Passo todos os dias ali, e mesmo depois desse tempo, vejo nós dois, seu sorriso contente e seu jeito sem graça de dizer que era reflexo da sua felicidade. Suas inúmeras tentativas de me conquistar, me envolver. Você conseguiu e agora não está mais aqui. No mesmo banco da mesma praça você me disse adeus e foi.

16 de novembro de 2011

Existe em nós


Não pense que eu serei só bonitinha, não é assim que somos. To escrevendo assim pra você, porque senti essa necessidade, foi um pedido que o coração me fez baixinho, quase, quase não deu pra ouvir. Acho bonito isso que a gente tem. Amizade? Amor? Sei lá. Uma mistura muito doida, mas me faz bem. Amadurecemos tanto com o tempo, eu, você, nós dois juntos. Tá certo que você não vale um centavo, mas confio em ti de uma forma assustadora. Sinto uma leveza tão confortante nisso. Não tenho mais pressa, sabe? Nem desespero. O que já temos é muito grande, muito nosso. Não é coisa de se dizer meia dúzia de palavras bonitas e ser suficiente. Vai além, cara. Sinto que é de verdade quando te olho e você não consegue me olhar dentro dos olhos, quando dá aquele meio sorriso sem motivo algum aparente. Quando arruma algum pretesto pra pegar na minha mão, ou nem arruma nada, só pega. Lembra daqueles estresses que rolava entre a gente? É bom achar graça agora. Talvez precisassemos disso para que nos entendamos melhor, conhecer um ao outro, saber os limites. E com certeza há muito mais pra conhecer. Ah, eu gosto do teu silêncio, até assim aprendemos, presta-se mais atenção nos detalhes. E é nos detalhes que devemos ter cuidado, nos mostra coisas surpreendentes. O simples cabe inteiro dentro da gente. Escrevo ouvindo O Teatro Mágico, porque vejo como trilha sonora de toda essa situação. Hoje. Quando comecei estava ouvindo Los Hermanos, não achei apropriado. E já que eu estou fazendo isso, deixa eu te avisar logo. No show deles iremos juntos e isso está muito longe de ser um pedido. Eu não esqueci da sua camisa do TM. Entrego da próxima vez que te ver. A básica, né? Tá vendo? É simples. É básico. É leve.
Vai ser do jeito que deve ser. Mas quando for, vai ser inteiro, completo. Não sei exatamente o que, mas será assim. Muito legal a paciência que você tem comigo, mesmo que às vezes você nem seja tão paciente assim. A importância que você tem pra mim é imensa, você sabe. Seria bom que cada pessoa tivesse alguém assim, como você é pra mim. Alguém pra poder contar, rir, chorar, até mesmo xingar, esperando outros xingamentos como resposta, é claro. Sabe de uma coisa? Já é inteiro. Completo. Há o desejo do seu calor, do seu corpo, seus beijos, você falando safadezas ao pé do ouvido e tudo mais, enfim, isso é um outro assunto. De uma noite apenas e nada mais. Quem sabe?! Ou tantas noites que não podemos nem imaginar? Viver pra saber. Em mim, você vai viver sempre. E vou viver em você também, nem ouse tentar esquecer. Não lembro se já lhe disse, mas é em seus braços que eu encontro o melhor abraço.

Te quero. Te tenho. Te beijo.

13 de novembro de 2011

Saiba quando parar

A vida é uma beleza e todas essas pequenas coisas são só aprendizado. São escolhas que às vezes machucam, mas nada que você não consiga curar. E é tu mesma, não espere que outras pessoas façam. Isso tem que ser uma conquista sua, de corpo e alma, é claro que existem aqueles seres que trazem risos, e Malu, se tem uma coisa que você deve saber valorizar, são os sorrisos, você vai reconhecer os verdadeiros quando sua mente estiver limpa e aberta às novas situações. Não se apegue tanto, deixa-se conduzir pelo o que é belo e dê um basta no que te cansa e você sabe que não vale a pena, só está te atrasando, desgantando a sua essência. É bonito isso de correr atrás do que você deseja, mas aprenda a enxergar os limites. Tudo tem limite.

7 de outubro de 2011

Já deu, Você


Sabe o que é? Há poesia demais morando em mim, muita vontade de vida. E infelizmente, ou não, você não aguenta viver dessas delícias. Agora eu sei, meu bem, nosso tempo já passou e isso que fingíamos ter era só aquele medinho de mudanças que finalmente desgarrou-se de mim. Mudar, mesmo que incômodo no começo, faz um bem danado pra alma. Talvez eu até achasse que você era uma aventura, daquelas que você quer ter ao lado sempre pra não cair na rotina, sabe? Mas você virou rotina. Veja minhas asas, menino, repare, estão prontinhas pra conhecer essa imensidão de azul, há muita coisa me esperando pelo caminho e daqui de onde eu vejo, você não está nele.

11 de agosto de 2011

Maria Luiza

Conheço Maria Luiza há uns 6 anos pelo menos? É, bem por aí. Veio de Minas, fez o colegial lá porque queria morar um tempo com os avós. Voltou pro Rio de Janeiro pra cursar arquitetura, comigo. Não, não nos conhecíamos até começarmos o preparatório, mas é como se eu precisasse conhecer essa menina, sei não. Ela cresceu 2 centímetros e olhe lá. Ela é bem nanica e fica revoltadíssima quando a chamo assim, 1,57cm atualmente, e desajeitada. Com-ple-ta-men-te. Toda atrapalhada, tadinha, mas um encanto de moça. Daquelas que sorriem com o olhar e você já se rende.

Malu não é de fazer muitas amizades, mas é boa moça. Ela tem um tom sarcástico, pessoas não curtem muito isso. Pra mim, é só mais um dos seus charmes. Não que ela seja charmosa, porque ela não liga muito pra padrões de beleza e de sensualidade ela desconhece, mas é carinhosa, transbordando doçura. Simpática às vezes, quando chega sem seus cachos já sei que não está em seus melhores dias, geralmente é assim, porque de vez em quando ela quer dar uma de engraçadinha e me enganar.

Ela sempre está entre os assuntos dos caras da faculdade, eles fazem "bolão" pra ver qual o próximo que vai levar um fora dela. É baixinha, mas toda marrenta, não dá um pingo de condição pra eles, a não ser que ela esteja a fim. Até que já saiu com dois caras, mas nada sério, não. E foi ela quem chegou neles, quando quer, ela procura mesmo, não segue regras quase nunca.

Outro dia saímos pra beber à noite, Malu estava desabafando, mais uma vez, sobre seus relacionamentos e os caras que não dão certo. Ela não os culpa, bonitinha da parte dela, quando termina, só diz que eles não têm "aquilo" do qual ela precisa. Devastaria meu coração, se fosse comigo. Guardo meu amor por ela em segredo, medo de que aconteça o mesmo, eu sei. Paramos na cama do meu quarto, juntos, como de costume. Ela tem essas vontades por mim, às vezes; eu, sempre.

Sexo com ela é... quente, longo. Provocante como quase ninguém nunca viu, sexy e irresistível. Fomos dormir por volta das 7h, trocamos carinhos, beijos, olhares, palavras, meios sorrisos. Tive ela inteira. Na palma da mão. Na boca. No enlace dos corpos. Dentro e fora. Ela me acordou 7:45h com um beijo na testa de despedida. Só consegue dormir em casa. Sozinha.

19 de julho de 2011

Eu só queria amor, é pedir demais?

2 de julho de 2011

Desespero

É como se nada a sua volta se encaixasse em você. Tudo que sentia, te fazia rir, tivesse perdido o encanto, a essência. Todos que te preenchiam são indiferentes e você, por mais que tente, não consegue que se importar ou mostrar que sente algum afeto. Porque simplesmente não há mais nada. É só um vazio dentro de você e a cada dia que passa entende menos. E vai tentando mudar aparência, muda cabelo, muda unhas, muda os tipos de roupas e sapatos, mas nada realmente muda. Toda aquela vontade de gritar e sair correndo vai aumentando de acordo com o que você inventa. Quer abraçar o mundo e ao mesmo tempo se esconder no colo de alguém, tendo aquele cafuné que traz o sono leve e sonhos bonitos. Você tenta conhecer novas pessoas, sair pra novos lugares e vai tendo um gosto amargo da vida, querendo mascarar o que você realmente é, porém, pode estar só conhecendo versões diferentes de si mesmo. É um desespero que ninguém entende e, aqueles que entendem, não ligam. Tanta coisa na sua cabeça, tantas dúvidas, amores mal resolvidos, vontades, responsabilidades, problemas, ansiedade. Você não sabe mais o que fazer, por onde começar, não sabe... É uma dor tão grande, e vai te corroendo até não sobrar mais nada. São urgências desmedidas, descontroladas. Você achava curioso e interessante, mas a sua cabeça faz aquele tic tac. Não há como ter algo de bom nisso. Planeja correr atrás dos seus sonhos, mas não consegue colocá-los em prática. Tem a vontade de dividir todo esse murmúrio de emoções, mas ninguém se quer pergunta como você se sente, se precisa de alguma coisa. Tem pessoas a sua volta, mas no fim do dia, você é só você.

14 de maio de 2011

Então aquele carinha que te faz ter sensações esquisitas na barriga quando você o vê ou fala com ele reaparece na sua vida, te desorienta em todos os sentidos, faz reacender o desejo que você sentia por ele e, pra variar, na hora de ter atitude e tomar decisões ele fica confuso e indeciso, não sabe o que fazer e acaba te envolvendo nessas incertezas dele.
Que beleza, em?

17 de abril de 2011

Maria

Maria tem pele clara. Maria tem cabelos negros. Maria tem olhos cativantes. Maria tem boca tentadora. Maria não é alta e nem baixinha. Maria tem rosto de menina. Maria tem corpão. Maria tem mãos pequenas. Maria tem pés pequenos. Maria tem as coxas grossas. Maria tem cintura fina. Maria tem bunda grande. Maria tem leveza no andar. Maria é bonita. Maria encanta. Maria é estranha. Maria quer ser engraçada. Maria é cheia de mistérios. Maria é toda transparente. Maria é tímida. Maria é cara-de-pau. Maria é toda oferecida. Maria gosta de chocolate amargo. Maria toma café toda tarde. Maria adora torta de limão. Maria não toma coca-cola. Maria gosta de cozinhar. Maria é determinada. Maria é grossa. Maria é bruta. Maria briga. Maria gosta de bater. Maria é carente. Maria é sonhadora. Maria é meiga. Maria é doce. Maria gosta de carinho. Maria tem voz aveludada. Maria fala baixinho. Maria gosta de gritar. Maria é delicada. Maria é estudiosa. Maria é preguiçosa. Maria é cínica. Maria é extremamente sensível. Maria chora à toa. Maria sorri bastante. Maria não gosta de ser romântica. Maria tem mania de mordiscar os lábios. Maria é sexy. Maria é provocante. Maria é desejável. Maria é louca. Maria apronta. Maria faz sexo desvairado. Maria gosta de irritar. Maria é irritada. Maria é serena. Maria anda descalça. Maria usa vestidos floridos. Maria gosta de all star. Maria perde a linha com sapato alto. Maria detesta coração. Maria prefere estrelas. Maria não sabe andar de bicicleta. Maria tem medo de dirigir. Maria quer voar. Maria quer morar no mar. Maria é metida. Maria tem humildade. Maria é orgulhosa. Maria já quis ser modelo. Maria quer fazer arquitetura. Maria quer ser atriz. Maria gosta de literatura. Maria quer viajar o mundo. Maria é apaixonada por velhinhos. Maria não tem jeito com crianças. Maria gosta de homem. Maria já ficou com mulher. Maria não tem medo de se expressar. Maria é envergonhada. Maria quer casar. Maria quer ter três filhas. Maria gosta de Los Hermanos. Maria adora carros antigos. Maria é lerda. Maria quer diversos amores. Maria gosta de sair no verão. Maria prefere o frio. Maria se reinventa em cada estação. Maria se ama loucamente. Maria não diz sim querendo dizer não. Maria é sincera. Maria é complicada. Maria é chantagista. Maria cativa. Maria é inteligente. Maria samba. Maria sabe ser mulher.

3 de abril de 2011

Dessas criaturas


É tão mágico e assustador o jeito que sabe me dominar,
Me ter pra você, totalmente entregue.
E quando estou contigo, só te quero mais.
Quando não, não há ninguém capaz de preencher o que falta aqui em mim.

És calmaria, fogaréu. Palavras, toques.
O sim, o não, o talvez.
Medo, coragem. Certo, incerto.
O doce, o amargo. Profundo.

E meu corpo grita vontades pertubadoras ao te sentir.
O coração pede mansinho o teu cheiro, teu sorriso.
Você inspira e me pira. Faz com que eu conheça sensações que ao menos sei nomear.

És sedutor, sabe nos conduzir numa dança que não é minha e nem tua.
São passos de tudo isso que nos envolve e nos mantêm.
Deliravelmente contagiante. Sorriso nos olhos, brilho nos lábios.

2 de abril de 2011

Medo de se Apaixonar

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."

[Fabrício Carpinejar]

2 de março de 2011

Querer. Não querer.

É como se eu quisesse estar em algum lugar, fazendo nada, sem ninguém, só esperar essa coisa passar ou até mesmo um desses fins chegar. Um fim que eu não sei exatamente qual, só quero que chegue depressa. Só quero que passe. É estranho, como se faltasse algo, alguém. Ou talvez tenha gente demais, além do que eu posso suportar. Começo a questionar inúmeras coisas tentando achar um motivo pra toda essa confusão, mas no fim, nada é o real motivo dessas paranóias. Necessidade de uma abraço e ao mesmo tempo de que nem encostem em mim. De querer estar junto e de nem conseguir olhar no olho daquela pessoa que você sabe que te faz bem, mas que não é o bem que você precisa agora. Esses quereres que não se encontram, que não entram em um acordo e facilita pra mim.

5 de fevereiro de 2011

Talvez eu me apaixone por você. Mas talvez não. Sinto um desejo tão louco por você que não cabe em palavras, pode ser só desejo, o que eu dúvido muito, mas pode. O medo de se apaixonar nessa história deve morar em você.

Tem uma coisa que você deve saber, querido, certas coisas não dá pra evitar. E quando você for, depois dessa noite, se lembrará de mim todos os dias antes de dormir, me odiará por eu ter razão, sobre esse querer imenso. Nem os perfumes de todas as moças que já passaram pela sua cama ofuscará o meu, que já está em você, grudado em sua pele e seus pensamentos.

Tem coisas que estão me sufocando aqui, gritam frequentemente na minha cabeça, que sonho um dia ter coragem de gritar pra você. Fantasio sempre sua cara de surpresa - porque nunquinha em sua vida imaginaria isso - dizendo coisas que eu espero ouvir desde quando te conheci. Quantas e quantas vezes já sonhei acordada com esse momento, quantas vezes já repeti para mim mesma "ele poderia ser muito mais que só meu amigo". Talvez até seja, um dia. Mas na boa, esperar por isso não é mais aquela coisa bonita. É angustiante, cansativo, incompleto. Não vou mais alimentar isso com cada pequena esperança que você dá. Não mais.

27 de janeiro de 2011

Não passa de um ciclo vicioso

não amo ninguém e é só amor que eu respiro (8)

Parece que meu coração virou uma pedra de gelo, não que eu ligue, não, não, dói menos, me iludo menos, não quero dizer que isso não aconteça, pois o gelo derrete às vezes, e quando o tal do amor cisma de dar o ar da graça, ele vem bonito, vem flores, vem doce, vem sorrisos, vem fogo. E permanece assim, até que ele resolve partir e fazer chorar mais uma vez esse coitado que deixou de ser pedra pra abrigar tanta coisa linda que faz um bem danado. O coração volta a ser gélido e assim vai sendo até que o friozinho na barriga volta a dar as caras...

25 de janeiro de 2011

Aonde vai chegar

Engraçado a forma de como os dias tão azuis passaram a ser cinzas de repente. Tudo que era bonito, morreu. Tudo que tinha sorrisos parece tão deprimente agora. Encontro pessoas que em outros tempos faria cócegas do lado de dentro e hoje já não significam nada, não sinto nada. Coisas bonitas e fofinhas não me encantam. Queria poder ter a certeza de que isso vai passar, mas não vai.